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A Star is Born: Descascar cebolas
 Uma história com final para corações sensíveis.

A Star is Born: Descascar cebolas

Uma história com final para corações sensíveis.
Cultura 2 min. 11.10.2018

A Star is Born: Descascar cebolas

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
O festival de cinema de Veneza acolheu Lady Gaga para o lançamento deste filme que é mais uma versão de uma velhíssima história sobre a fama e no fundo, um filme em que Hollywood fala de si própria. Há muitas histórias daquelas em que a Meca do cinema mostra a relação de amor-ódio que tem consigo mesma e que regularmente é tema de filmes, mas o título “A Star is Born” é o símbolo dessa autocrítica.

A estrela neste filme chama-se Jackson Maine (Bradley Cooper), um cantor extremamente famoso que vende os bilhetes para os seus concertos em algumas horas. Cantor e guitarrista, Maine é um homem atraente, seguido por fãs incondicionais.

Um dia, num bar – como as pessoas normais –, o artista cruza-se com Ally (Lady Gaga), uma artista à procura do sucesso, que vai cantando em bares para meia dúzia de gatos pingados. Jackson Maine acha que a jovem tem uma excelente voz e tenta transformá-la numa estrela da música. Mas ele tem uma relação difícil com o álcool e a história entre ambos não vai ser fácil. “A Star is Born” não é um musical mas a música tem um lugar muito importante. Se cantigas a alto volume e música omnipresente não são a sua praia, o melhor é evitar este filme que depende muito dos talentos musicais dos protagonistas. Se nunca foi a um concerto, fique a saber que ver “A Star is Born” é uma experiência semelhante, sem o cheiro a cerveja entornada ou a cigarros que na Holanda são legais.

Com os sistemas de som dos modernos multiplexes a experiência sonora é inolvidável mas a vertente visual não lhe fica atrás. Na lista de momentos altos estão algumas canções, das quais se pode destacar “Shallow”, mas é tudo uma questão de gostos porque a oferta é muita. Certinho certinho é a banda sonora de “A Star is Born” aparecer entre as nomeadas para os Óscares, e com forte probabilidade de vencer.

Bradley Cooper desempenha um papel muito rico: a sua personagem tem mais camadas do que uma cebola da Póvoa e é um prazer ir desfolhando esta personalidade com emoções variadas que, por vezes, podem transformar-se em lágrimas.

E (nunca pensei escrever isto) mas Lady Gaga é excelente! O espectador fica rendido à personagem de Ally desde o primeiro segundo. No final, nós queremos o seu êxito tanto ou mais do que ela. O filme depende muito a interpretação de Lady Gaga, mas também da sua voz que, ok..., é boa.

O realizador Bradley Cooper assina uma obra de qualidade que só pode ser acusada de algum pieguismo. O argumento é realista e, apesar de nos dar muita música, tem uma verdadeira história para contar. E depois tem um finzão daqueles que vão agradar aos corações mais sensíveis. (Se alguém reparar podem sempre dizer que a culpa foi das cebolas).

“A Star is Born”, de Bradley Cooper, com Lady Gaga, Bradley Cooper, Andrew Dice Clay, Dave Chappelle e Sam Elliott.


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