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A história luxemburguesa de um dos mais reputados pintores portugueses

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A história luxemburguesa de um dos mais reputados pintores portugueses

A história luxemburguesa de um dos mais reputados pintores portugueses
Perfil

A história luxemburguesa de um dos mais reputados pintores portugueses


por Ricardo J. RODRIGUES/ 20.04.2022

Rico Sequeira junto a um painel seu, exposto no Taguspark, em Oeiras. Fotos: Rodrigo Cabrita

Vendia desenhos na rua para sobreviver, até um dia ser descoberto por um galerista que fez dele um nome sonante da arte portuguesa contemporânea. Rico Sequeira nasceu em Portugal, cresceu no Luxemburgo e viveu sempre entre os dois países. Esta semana inaugura uma exposição no Centro Camões, em Merl. Oportunidade para contar a sua vida extraordinária.

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Nascer de novo
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As paredes do Instituto de Soldadura Qualificada, no Taguspark, em Oeiras, estão todas ocupadas com obras de Rico Sequeira. “Em vez de tê-las encaixotadas no meu atelier prefiro que elas estejam aqui, onde as pessoas as possam ver”, diz o pintor de 67 anos enquanto percorre os corredores do edifício. Há obras de várias fases da sua carreira, mas o maior destaque é um enorme painel de oito metros de comprido por dois de altura. “Fazia isto antes da pandemia, mas agora decidi fazer tudo de uma maneira completamente diferente”, conta.

Na quinta, 21 de abril, Sequeira inaugura a exposição “Porquê grande quando se pode fazer pequeno?” no Centro Cultural Português Camões, na capital. O ano passado, o artista viveu uma experiência que o marcaria profundamente. “Tive covid-19, passei 17 dias em coma, os meus órgãos começaram a falhar e as coisas podiam mesmo ter corrido mal”, diz sem grande embaraço. Lembra-se de alguns sonhos, de memórias da infância do Luxemburgo, e outras coisas que lhe vieram à cabeça nesses dias em que estava entre a vida e a morte. “Quando acordei, percebi que queria voltar às minhas origens, pintar pequenino, olhar para os pormenores.” E é precisamente esse trabalho que está agora em exposição em Merl até 9 de setembro.

Em frente ao quadro 'I Am a Man'.
Em frente ao quadro 'I Am a Man'.
Foto: Rodrigo Cabrita

Foi precisamente uma exposição de Rico Sequeira que inaugurou o Centro Camões em 1999. Ele lembra-se bem do acontecimento, do abraço que António Guterres e Jean-Claude Juncker, então primeiros-ministros de Portugal e Luxemburgo, deram nesse dia. E agora é como se o artista voltasse a casa. Mercê da pandemia, Sequeira não põe os pés no Grão-Ducado há mais de dois anos – e as saudades corroem-no por dentro. “O Luxemburgo é o sítio onde vivi mais tempo na minha vida, é uma parte muito importante do que sou e faço.”

Na Expo ‘98, foi ele que encheu em Lisboa as paredes do pavilhão do Luxemburgo. Aliás, Rico Sequeira expõe regularmente em Paris e Bruxelas, no Japão e no Canadá, na Holanda, na Alemanha, em Itália. Às vezes é apresentado como pintor português, outras como luxemburguês. Não lhe importa grande coisa, diz-se produto de ambas as geografias. E de mais mundo, de muito mundo. Também por isso gosta de misturar técnicas. Os óleos e as formas a tinta da china, enormes onomatopeias e colagens de banda desenhada, escultura muitas vezes – e , ainda que não saiba explicar muito bem a razão, um fascínio especial por macacos.

Um painel de sequeira no Taguspark, Oeiras.
Um painel de sequeira no Taguspark, Oeiras.
Foto: Rodrigo Cabrita

No seu atelier no Cacém, em Sintra, guarda centenas de ensaios de tudo isto, recortes de livrinhos de BD, projetos inacabados, outros que o enfureceram, muitos que decidiu guardar por uns anos e acabaram por ficar décadas inteiras irremediavelmente guardados numa gaveta. E mesmo que à primeira vista tudo pareça um enorme caos, a verdade é que ele sabe localizar cada memória que a conversa puxa. Numa tarde de conversa não são poucas as vezes em que a conversa deriva, viaja no tempo, estica e encolhe. Mas há sempre a consciência de onde está o suporte visual para aquilo de que Sequeira fala.

Quando acordou do coma, o artista pôs-se a vasculhar os primeiros desenhos que tinha guardado nas mais fundas gavetas e olhou-os meticulosamente. E foi neles que pegou, foi nessa fase que quis trabalhar. Se a vida lhe tinha dado outra oportunidade então ele havia de ir às raízes de si mesmo para perceber quem era e de onde vinha. Aquilo que está em exposição agora no Camões não é por isso a grandiosidade que o trabalho lhe deu. É a minúcia, o pormenor e o detalhe. As coisas realmente pequenas onde um homem verdadeiramente se constrói. Porquê grande quando se pode fazer pequeno?

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A inevitabilidade da estrada
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No seu atelier no Cacém, em Sintra.
No seu atelier no Cacém, em Sintra.
Foto. Rodrigo Cabrita

Rico Sequeira nasceu em Vila Velha do Ródão em 1954. O pai era montador de fiações para a indústria de lanifícios e a mãe cuidava de um negócio de venda de leitões em Castelo Branco, mas a crise que se abateu sobre os dois setores nos anos sessenta fez o homem, primeiro, e o resto da família, depois, fugir a salto da miséria e da ditadura. “O meu velhote tocava concertina e conhecia muita gente no distrito todo, não foi difícil organizar a saída. Passou uns meses em França e depois arranjou emprego no Luxemburgo. Quando já tinha uma casinha, mandou-nos chamar.”

O rapaz tinha 11 anos quando passou a fronteira, e 1965 corria veranil. “Mudámo-nos para Wiltz, havia lá uma pedreira de xisto onde o meu pai encontrou posto e foi para ali que fomos viver. Por incrível que isto possa hoje parecer, éramos a única família portuguesa da cidade. Tanto que na escola toda a gente achava que eu era italiano e a minha alcunha era Spaguetti.” Encaixava-lhe na perfeição, o cognome. Era alto e fininho, cabelos negros e de conversa fácil.

Adaptou-se logo. Ao cabo de um ano dominava o francês, o alemão e o luxemburguês, tinha boas notas e somava amigos por toda a parte. Tinha uma paixão genuína por banda desenhada e gastava a mesada toda a comprar livros nas papelarias. “Na altura não se ligava muito ao Tintim nem à Disney. O meu fascínio era O Fantasma, As aventuras de Tarzan, O Mandrake. Pegava naquelas tiras e imitava-as nas aulas de desenho – e o meu professor elogiava-me muito por isso. Foi ele que achou que eu devia seguir os meus estudos.”

Foto. Rodrigo Cabrita

Não acreditou no entanto que as artes fossem o seu caminho, por isso inscreveu-se num curso de Artes Decorativas no Liceu Técnico de Limpertsberg. Para a mesma escola tinham ido alguns dos seus melhores amigos em Wiltz, tinham todos entre 15 e 16 anos, e a mudança para a capital revelava-se uma aventura. “Foi então que decidimos formar uma banda. Eu tocava baixo e era um dos vocalistas, o Gollo na guitarra, o Jelly no saxofone e o Stephan na bateria. Éramos os Moucouss”, conta no meio de gargalhadas. Durante pouco mais de um ano, andaram a fazer o circuito dos bares do país, com mais umas incursões pela Alemanha e Bélgica. Para o bando adolescente, as atuações significavam copos à borla e conversa fácil com miúdas. “Era uma maravilha. Mas também foi nessa altura que eu percebi que gostava de andar de um lado para o outro, que queria conhecer o mundo e coisas novas.” E foi precisamente isso que aconteceu.

Tinha 17 anos e acabara o curso. A família mudara-se entretanto para a capital, viviam no Quartier de la Gare – que era, como é hoje, o mais cosmopolita da cidade e aquele que enchia as medidas do jovem Rico. “Nas aulas de decoração eu tinha percebido novamente a minha veia artística, de como gostava de pintar e desenhar. O meu pai, que achava que eu devia prosseguir a minha educação, não tinha grandes possibilidades de me pagar mais estudos. Então foi às embaixadas de França, Rússia e Estados Unidos pedir uma bolsa de estudos para mim.” Rico era um aluno brilhante e tirava sempre notas altas. Podia ser que assim as coisas acontecessem.

E aconteceram. No verão de 1971 a embaixada dos Estados Unidos no Luxemburgo atribuiu-lhe uma bolsa de estudos no Colégio de Artes da Universidade do Connecticut. “E então, pumbas, lá vou eu a caminho da América”, ri-se. Chegou a Middletown com mil dólares no bolso que, nas suas palavras, desapareceram num instante. A bolsa garantia o pagamento das propinas e de um quarto na residência universitária. “Para conseguir comer, fazia desenhos de palhaços e vendia-os em bares. Foi assim que me safei para poder comer, beber um copo aqui e ali, levar uma miúda a sair”, explica.

Foram anos duros e de grande aprendizagem. “Como não tinha dinheiro para a lavandaria ia todo vestido para o duche e lavava a roupa no chuveiro, com o sabonete que eles lá tinham para os alunos”, lembra. As aulas também se revelaram problemáticas. “Os professores só nos falavam de minimalismo. A Bauhaus tinha-se afirmado nos anos anteriores e era disso que os académicos falavam. Mas, em Nova Iorque, estava a explodir a Pop-Art. E eu andava louco com aquilo, só pensava quantos desenhos de palhaços tinha de vender nos bares de Middletown para conseguir pagar uma viagem até Manhattan e absorver tudo aquilo. Quando finalmente juntou os fundos disponíveis, a realidade voltou a trocar-lhe as voltas.

“Um dia, um colega bate-me à porta do quarto a dizer que tinha havido uma revolução em Portugal. Saltei da cama, liguei aos meus pais, fui para a cafetaria ver o que passava nas televisões. Parecia que era mesmo verdade, que o povo tinha saído à rua com os militares para instaurar a democracia. E aí eu pensei que tinha de ir para Lisboa o quanto anos”, diz com o mesmo entusiasmo desses dias de 1974. Faltava pouco para acabar o curso, mas Sequeira não quis saber. Ir ver a Pop-Art a Nova Iorque também seria projeto adiado. Agora era Lisboa e só Lisboa que lhe interessava.

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Da mão para a boca
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Pintar para sobreviver foi muitas vezes uma obrigação.
Pintar para sobreviver foi muitas vezes uma obrigação.
Foto: Rodrigo Cabrita

No final do verão de 1974, a capital portuguesa fervia. Rico Sequeira tinha 20 anos e pouquíssimo dinheiro, mas arranjou um quarto barato na Rua Augusta que conseguia pagar com o que tinha amealhado nos Estados Unidos. “Se estivesse muito aflito, lá ia eu para Castelo Branco e Vila Velha do Ródão ter com a família. Ajudavam-me sempre, e nos piores dias lá ligava ao meu pai no Luxemburgo para que me mandasse qualquer coisa”, recorda. Nessa altura, já a família tinha percebido no rapaz um artista indomável. Era inevitável, e apoiavam-no por isso. Numa dessas idas à terra acabaria por conhecer a mulher, Cristina, que haveria de se tornar a sua companheira de sempre e mãe dos seus dois filhos.

Em Lisboa, o seu maior problema era dormir. “Estavam sempre a aparecer grupos a gritar palavras de ordem debaixo da minha janela. Eu também concordo que o povo unido jamais será vencido, que o povo está com o MFA, que a liberdade é coisa pela qual se deve dar vivas. Mas o problema é que eu ouvia isto das primeiras horas da manhã até às tantas da madrugada. Não conseguia dormir e muito menos trabalhar.” Sequeira vivia, bem vistas as coisas, no estaleiro de uma revolução em curso.

Alguns dos seus primeiros desenhos.
Alguns dos seus primeiros desenhos.
Rodrigo Cabrita

Ao fim de uns meses não aguentou mais e mudou-se para Madrid. Arranjou outro quarto barato, agora na Calle Luna, num bairro de traficantes e prostitutas. Continuava a fazer os seus desenhos de palhaços e vendia-os na Plaza Mayor ou na Gran Via. Um dia, entrou no Museu do Prado e viu uma exposição de Goya. “Foi uma revelação. Os Caprichos de Goya pareciam estar a falar para mim diretamente, emocionei-me a um ponto em que não conseguia dizer uma única palavra, não conseguia mexer-me, completamente arrasado pelo génio daquele pintor.” Ainda hoje Sequeira diz que essa é a sua maior influência. Um dos guardas do museu percebeu a sua palidez e explicou-lhe que poderia obter um passe especial e visitar o museu sem pagar. “Nos meses seguintes passei todos os dias no Prado, desde a hora da abertura até ao fecho, a copiar aquelas obras. Depois ia para a rua vender os desenhos para conseguir comer.”

Esse ano na capital espanhola seria uma revelação na sua vida. Voltou ao Luxemburgo para visitar a  família e os amigos, sobretudo o seu amigo Raymond Niesen – com quem tinha cursado em Limpertsberg e que lhe comprava alguns trabalhos para vender na sua loja de decoração. Haveriam de se tornar quase irmãos para a vida e Niesen haveria de ser um motor importante para a sua afirmação luxemburguesa depois de se tornar um artista consagrado. O filho de Niesen, Terry, é inclusivamente seu afilhado e figura frequente das suas pinturas e esculturas.

Sequeira voltou a Lisboa em 1977. “Nessa altura estão a aparecer uma série de editoras que querem fazer livros infantis, como a Verbo ou a Bertrand. E, apesar de não ser isso que eu queria, consegui um emprego na CEL Brasil, que era muito forte nesta altura. Eu achava aquilo uma chatice, por isso estava sempre a despedir-me e eles a aumentar-me o ordenado. Ganhava bem e isso pagava-me um estilo de vida boémio. Foi por esta altura que abriu a discoteca Jamaica, onde eu passava as noites enfiado. Gastava tudo em copos e o trabalho permitia-me isso.”

Ao fim de três anos, e apesar de lhe proporem novo aumento, decidiu que o trabalho de ilustrador o matava todos os dias um bocadinho. “Com o dinheiro da minha saída, tive uns meses de margem de manobra e comecei a fazer os meus desenhos como bem entendia. Vendia-os na rua, nos cafés, aqui e ali”, lembra. Um dia reparou que a montra da livraria Bibioarte tinha umas ilustrações na montra. “Entrei e falei com o dono, o Ernesto Martins, e perguntei-lhe se estava interessado em comprar uns desenhos meus. Mostrei-lhe o meu trabalho e ele ficou com os 60 que eu tinha, pagou-me mil escudos por cada um. De um dia para o outro eu tinha 60 contos na mão, era uma fortuna para um maltrapinho como eu. É como te darem assim 15 mil euros de um momento para o outro.”

O que Sequeira não sabia é que Martins pegara nos desenhos e os levara a um dos maiores galeristas da cidade, Pereira Coutinho. “A Galeria de São Mamede comprou todos, cada um a seis contos. Imagina bem, a fortuna que isto não era para o início dos anos oitenta”, diz. Nessa altura, o salário mínimo nacional cifrava-se nos oito contos, qualquer coisa como 40 euros. “E então o Pereira Coutinho contactou-me e disse-me que, a partir de agora, eu ia trabalhar para ele. E foi nesse momento que a minha vida mudou.”

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Finalmente a consagração
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Pintando no seu atelier.
Pintando no seu atelier.
Foto: Rodrigo Cabrita

A Galeria de São Mamede garantiu-lhe espaço de liberdade e criação. Recebia uma mesada de 80 contos, mais do que suficiente para as despesas. Em 1982, faz a sua primeira exposição e alcança um êxito tremendo. “Vendi todos os quadros. Então o Pereira Coutinho pede-me que continue a trabalhar e até aos anos noventa faço uma exposição por ano em Lisboa, onde esgota tudo”, lembra. Começa a dividir o ano entre Portugal e o Luxemburgo, tem um atelier na praça Paiva Couceiro e outro na rue de Hollerich. “Preferia os invernos no centro da Europa e os verões cá em baixo. Mas tinha sempre um problema, que era ter de encontrar uma coisa num sítio e ela estar noutro. Era desgastante, isso”, diz.

A sua arte, diz ele, era a mesma, mas havia coisas que não faziam sentido num lado e faziam noutro. “Nunca pintava a preto no Luxemburgo, mas fazia-o bastante em Portugal. Eram inspirações diferentes, de uma certa forma, e eu gostava disso.” No Grão-Ducado a Galerie du Luxembourg, a maior do país, toma conta da sua representação. Nos anos noventa expõe em Paris, Bruxelas, Berlim, Madrid, Zurique. É um dos nomes fortes da Europália quando Portugal é o país convidado. É a estrela do pavilhão luxemburguês na Expo ‘98. Sequeira torna-se um artista entusiasmante.

Sempre que regressa a Lisboa mergulha no mundo da boémia artística. “Juntavamo-nos eu, o Mário Cesariny, o Artur Bual e o José Escada. Íamos jantar ao restaurante que há por baixo da Casa da Imprensa e depois íamos beber whiskies para o Barracuda. Assim que eu chegava eles gritavam todos: ‘olha o nosso menino do Luxemburgo’. Quando ninguém tinha dinheiro para pagar a conta íamos a casa buscar um desenho. O senhor Manuel, do Barracuda, tem uma das mais completas coleções de arte portuguesa contemporânea à nossa pala”, e desata numa gargalhada de menino.

Alguns dos seus quadros em exposição no Taguspark.
Alguns dos seus quadros em exposição no Taguspark.
Foto: Rodrigo Cabrita

Em 2000, decide voltar definitivamente a Portugal. Continua a ser representado por galeristas na Alemanha e sobretudo pela Galeria Synthèse, em Bruxelas. Em Lisboa passa para outro nome forte do mundo das artes: a Galeria de São Bento. Expõe no país inteiro e cria uma linguagem própria, reconhecida pelos seus pares. Continua a ir e vir para o Luxemburgo, pelo menos até uma pandemia se abater sobre o mundo.

Agora, depois de ter sofrido um teste francamente duro, vem às origens do caminho descobrir por onde seguir. E talvez seja essa a maior lição de Rico Sequeira. Que não importa assim tanto por onde se vai, desde que continuemos a lembrar-nos de quem somos. A história de um artista que se fez grande e agora quer olhar para as coisas pequenas não é nada menos do que uma lição de vida.

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