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17° Salão do Livro: Duas mulheres, duas escritoras, a mesma língua
O 17° salão do livro inclui a presença de autores lusófonos

17° Salão do Livro: Duas mulheres, duas escritoras, a mesma língua

Foto: Gerry Huberty
O 17° salão do livro inclui a presença de autores lusófonos
Cultura 5 min. 01.03.2017

17° Salão do Livro: Duas mulheres, duas escritoras, a mesma língua

O 17° Salão do Livro e das Culturas no Festival das Migrações conta este ano com com a presença de cinco autores lúsofonos, dos quais destacamos duas mulheres.

O 17° Salão do Livro e das Culturas no Festival das Migrações conta este ano com com a presença de cinco autores lúsofonos, dos quais destacamos duas mulheres.

Goretti Pina é natural de São Tomé e Príncipe, Marta Lourenço é portuguesa. Enquanto a primeira estudou Marketing Internacional, tirou o mestrado em Direito e uma pós-graduação em Criminologia, a segunda formou-se em Gestão.

Em comum têm o facto de terem carreiras bem sucedidas, serem mulheres de família e escreverem em português. Goretti escreve poesia, contos e romances sobre o seu pequeno país em África e sobre o país que a acolheu, Portugal. Marta dedica-se à literatura infantil. Ambas estão domingo no Salão do Livro do Festival das Migrações.

O encontro com a estilista e escritora são-tomense Goretti Pina, que está pela primeira vez no Grão-Ducado, a convite da associação de São Tomé e Príncipe no Luxemburgo, tem lugar domingo, às 15h30, na sala 2, com os escritores Carlos Cardoso e Alda Batista.

Goretti Pina escreve poesia, romance e contos
Goretti Pina escreve poesia, romance e contos

Goretti é autora de uma literatura variada, da poesia ao romance, passando pelos contos. Distinguida com vários prémios, com destaque para o Prémio PALOP do Livro/98 e para o concurso “Criar Lusofonia” (em 2010 e em 2014), promovido pelo Centro Nacional de Cultura e pela Direção Geral do Livro, Arquivo e Bibliotecas. Entre as suas obras, referência para “O amor da filha do angolar” (1999), “Viagem” (2012), “No dia de São Lourenço/O encanto do Auto de Floripes” (2013), “Feijão N’Água”, “Pagá Dêvê, Lujá Bôtê e outros contos de se ler” (2014) e “Respiração dos Dias” (2015).

Partilha a escrita com a moda, porque, defende, “são um prolongamento do meu processo de criação”. Na sua vida as duas paixões coabitam naturalmente, confia a autora, dizendo que tem “investido cada vez mais na escrita.” A autora admite que “os contos e romances exigem mais disciplina”, enquanto “a poesia não tem hora, a inspiração surge em qualquer lugar ou momento”.

Com fortes influências africanas, Goretti Pina não consegue, hoje, abstrair-se do país para o qual se mudou há 17 anos – Portugal – tanto que “O encanto do Auto de Floripes” é uma clara alusão ao país, mas nos contos “Feijão N’Água, Pagá Dêvê, Lujá Bôtê e outros contos de se ler”, que ainda não está concluído, mas que venceu um concurso de projetos e de obras não concluídas relata contos e mitos de São Tomé. “Feijão N’Água é um feitiço que diziam que se fazia, Pagá Dêvê significa mesmo pagar o que se deve para termos uma nova vida, Lujá Bôté refere-se a Luzia Botelho, que se acredita que vivia em Príncipe e hoje habita no rio” explica a autora.

Goretti lamenta que a situação em São Tomé não seja das melhores, embora já haja fortes melhorias. Foi como aluna estudar para Portugal e lamenta que muitos no seu país não tenham essa possibilidade.

Também critica duramente o sistema de saúde, que não dá resposta suficiente, sendo que os pacientes são obrigados a procurarem tratamento em Portugal. Goretti diz ter uma grande capacidade de solidariedade, “porque cresci com esse empenho dos meus país, que acolhiam crianças de aldeias vizinhas para que estas tivessem oportunidade de frequentar a escola”. Assim, desenvolveu um projeto para facilitar e financiar os tratamentos hospitalares dos são-tomenses em Portugal.

A jovem vê o convite de vir ao Luxemburgo como uma forma de promover a cultura do seu país e principalmente “a língua portuguesa, porque quando penso, faço-o em português.”

 Marta Lourenço conta com dois livros infantis
Marta Lourenço conta com dois livros infantis

A importância da literatura infantil

Marta Lourenço vai partilhar alguns dos seus contos no domingo, a partir das 15h, no espaço infantil do Salão do Livro. A autora foi convidada pelas associações Amigos do 25 de Abril, Mots de Zaza e a livraria Orfeu, de Bruxelas.

Com dois livros lançados em 2016, “No Alentejo ou na Linha do Equador” e “O menino azul”, a escritora portuguesa diz ter sentido uma necessidade de escrever no momento em que pensou em ser mãe.

“Antecipei esse momento ao escrever para elas, mesmo antes de as minhas filhas nascerem”. Porém, “O Menino Azul” terá sido dedicado ao marido. Marta considera que “a responsabilidade é maior quando se escreve para crianças, porque além da atenção com a escrita, tem que se estimular a imaginação da criança, porque desperta já ela está.”

É uma forma de as ajudar a resolver os dilemas próprios de uma criança Marta acredita que os seus livros são adequados para todas as idades e que há questões que podem sempre ser abordadas, tanto que na “Linha do equador”, “a linguagem é mais complexa e poética”, diz.

A autora acredita que ao escrever está também a criar e confia ter “muitas histórias escritas e outras à espera de o serem”.

Com uma carreira profissional em que o inglês é uma língua habitual, Marta pensa que a “língua portuguesa é a cultura, é uma forma de ser sem filtros” não se imaginando a escrever literatura infantil noutra língua “porque efetivamente há muita riqueza na nossa língua”.

A gestora de formação defende que “quem escreve bem, tem o pensamento bem estruturado”, justificando assim que é necessário estimular a criança à escrita desde tenra idade.

Marta Lourenço diz ver neste convite para vir ao Luxemburgo uma forma de “promover a língua portuguesa”. Além da sua apresentação no salõ do livro, a autora vai também contar as suas histórias a várias turmas de ensino da língua portuguesa.

Bruno Alfama vai apresentar o seu primeiro romance "A bílbia da Utopia"
Bruno Alfama vai apresentar o seu primeiro romance "A bílbia da Utopia"

Bruno Alfama, Carlos Cardoso e Alda Batista no Salão do Livro

O autor guineense radicado em Portugal Bruno Alfama apresenta-se, este fim de semana, pela primeira vez no Luxemburgo, a convite da associação Luso-guineense. Aos 22 anos, Bruno Alfama vai apresentar o seu primeiro romance, “A Bíblia da Utopia”, este sábado, pelas 15h30, na sala 2 do Salão do Livro. Com a chancela da Chiado Editora, o livro conta a história épica do primeiro milénio do mundo Utopia e as lendas dos cinco deuses que o criaram.

O poeta são-tomense Carlos Cardoso e a tradutora portuguesa Alda Batista repetem a presença no Salão do Livro, ao lado de Goretti Pina.

HB e VC

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