Pela primeira vez na história dos JO, a China vencia, logo em casa. Um investimento nunca antes visto resultou no evento mais visto de sempre, onde Nélson Évora conquistou o ouro e Vanessa Fernandes a prata.
Esta é uma história de balas, algumas olímpicas, outras não. A história começa no início do século XX, depois de ressuscitado o espírito olímpico. Cruzou a monarquia, o regicídio, a república, duas guerras mundias, o Estado Novo, a guerra colonial, a ditadura, a democracia. Ainda não terminou o seu percurso. Como uma bala, atravessa ainda gerações.
Com a internet, foram as Olimpíadas mais mediáticas de sempre. Não faltou glória e drama. E uma agressão em directo ao atleta brasileiro que ia em primeiro na prova da maratona.
Para tristeza da Grécia, coube a Sidney limpar a má-imagem que Atlanta havia deixado no centenário das Olimpíadas. A Austrália organizou um dos melhores JO de sempre, onde Nuno Delgado brilhou. Junto com Fernanda Ribeiro, trouxeram o bronze.
O ouro sorriu pela terceira vez a Portugal. Fernanda Ribeiro venceu os 10 mil metros. À vela, chegou igualmente de Atlanta uma medalha de bronze. Estes olímpicos não ficaram com boa fama.
Portugal tinha esperança que Rosa Mota defendesse a medalha de ouro na maratona com outra, mas uma lesão impediu-a de viajar para Barcelona, onde mandaram os nadadores e os atletas profissionais. Sobretudo as estrelas da NBA. Montserrat Caballé cantou "Barcelona" na cerimónia de abertura.
Rosa Mota deixou Portugal em delírio, conquistado a medalha de ouro na maratona. Sobre Seul pairava o medo de um atentado. Mas a única bomba foi a de Ben Johnson, velocista canadiado que bateu o recorde do mundo dos 100m movido a esteróides anabolizantes. Um escândalo, que marcou estas olimpíadas.
Para Portugal, estas olimpíadas foram inesquecíveis. Rosa Mota e António Leitão trouxeram o bronze. E, com Portugal sem pregar olho, Carlos Lopes sagrou-se campeão olímpico na mais dura das provas: a maratona.
As Olimpíadas de Moscovo foram marcadas pela ausência de 65 países, encabeçados pelos EUA, que condenaram a invasão do Afeganistão pela URSS. A história provaria a ironia disto. Mas não em Moscovo.
Depois da tragédia de Munique, dificilmente os JO de Montreal podiam ser piores. A organização gastou o que tinha e o que não tinha. Mas não impediu um boicote de 39 países, na maioria africanos.
Na noite de 4 de Setembro, operacionais pró-Palestina entraram na aldeia olímpica, espalhando o terror, que acabou num aeroporto de Munique num banho de sangue, em directo na tv. Os JO não foram interrompidos. Carlos Lopes teve estreia azarada.
O COI cometeu erros que resultariam em violência nas ruas. Com a Europa a ferver, os JO refugiaram-se no México, mais de dois mil metros acima da linha de água. Com o mundo em convulsão, pacificariam as Olimpíadas?
Roma fez as pazes com a História e as Olimpíadas foram memoráveis. A URSS levou a melhor aos EUA. O mundo conheceu Cassius Clay. E chorou a segunda fatalidade em olimpíadas. À vela, Portugal trouxe mais uma medalha de prata.
A organização começou mal, mas as Olimpíadas de Melbourne acabaram bem. Isto apesar de ter ocorrido o primeiro boicote da sua história. Na Europa, a URSS invadia a Hungria durante estas Olimpíadas. Houve lutas entre atletas dos dois países. Portugal participou na modalidade de hipismo. Em Estocolmo.
Foram as Olimpíadas mais caras de sempre e uma das mais prolíferas desportivamente. 50 novas marcas olímpicas foram estabelecidas em Tóquio. Os EUA venceram, mas a URSS conquistou mais medalhas. Valeu o ouro.
Um confronto apagou tudo o mais nestes JO, com milhões a assistir na TV: EUA contra a URSS. O colosso olímpico contra o gigante debutante. Foi o palco de uma Guerra Fria. Que em Helsínquia aqueceu.
Depois de uma interrupção de 12 anos, coube de novo a Londres os primeiros JO depois da II Guerra Mundial. Sob o signo da paz, foi um evento austero, mas de exemplar organização, onde uma dupla de velejadores portugueses conquistou a prata.
Foram as Olimpíadas do nazismo, as primeiras na TV. Hitler queria que fossem uma demonstração da superioridade ariana. Foi um atleta afro-americano quem mais brilhou no pódium nazi. A propaganda tentou abafar os seus feitos. Mas estes JO ficaram na História exatamente por isso.
A distância fez-se de novo sentir. 30 comitivas que tinham estado em Amesterdão, não marcaram presença nos JO de 1932. Como já havia acontecido com Paris em relação a Paris, Los Angeles limpou o desastre de Saint Louis. Houve espírito olímpico. E, claro, Hollywood.
Portugal tomou o gosto do bronze. A segunda medalha da história olímpica portuguesa foi conquistada pela esgrima. O barão de Coubertin aposentou-se em glória a seguir aos JO de Paris. As mulheres puderam finalmente participar nas provas de atletismo.
As Olimpíadas que inspiraram o filme Momentos de Glória, também inspiraram os atletas portugueses. Portugal, que tinha enviado a maior comitiva de sempre, conquistou a sua primeira medalha olímpica. Bronze para o hipismo nacional.
Os Jogos Olímpicos quase se incluiam nas baixas da Primeira Guerra Mundial. As Olimpíadas de 1916, previstas para Berlim, foram obviamente anuladas. De Estocolmo tinha ficado uma discussão sobre o amadorismo e um estranho mistério por resolver. Para outras núpcias.
Fica em Lisboa uma das ruas mais “cool” do mundo. Na verdade, não é bem uma rua, mais um bairro criativo de cultura hipster em cenário industrial. Lisboa não é o que era antes da pandemia. A Lx Factory, que antes era uma espécie de mini-cidade dentro da cidade, é hoje um espelho seu. Continua cool. De frio.
Pombas brancas voaram nos JO de 1920, em Antuérpia. A Bélgica, martirizada pela guerra, não queria a organização do evento. Estas Olimpíadas arruinaram os já depauperados cofres nacionais. No final, sobreviveu o olimpismo.
Perigo à vista: enquanto evento universalista (a Grécia bem tentou que fosse caseiro), os Jogos Olímpicos estavam na corda bamba existencial, depois dos recordes absolutos de insensatez em Paris e dos experimentalismos antropológicos de Saint Louis, à Grã-Bretanha cabia salvar a honra olímpica. Londres não desiludiu.
Tendo em conta os falhanços olímpicos de Paris e Saint Louis, os Jogos Olímpicos atravessaram uma crise existencial. Os gregos quiseram que as Olimpíadas ficassem para sempre na sua terra-natal. Os Jogos Pan-Helénicos foi o sucedâneo que se arranjou. Um sucesso, que acabaria por marcar o futuro dos Jogos Olímpicos, que manteve o seu condão universalista.
Os Jogos Olímpicos "made in USA" não deixaram saudades. Pela primeira vez na história das Olimpíadas participaram dois atletas de África, mas foi sem querer. Sob um ambiente de racismo e de segregação, foram consideradas as Olimpíadas... antropológicas.
Os Jogos Olímpicos de Paris foram uma tragédia, unanimemente considerados os piores de sempre. Como diriam os gregos, especialistas em tragédias e Olimpíadas: uma verdadeira "anékdota".