Passado 18 anos, as Mães de Bragança continuam anónimas. Camilo Gonçalves, dono dos maiores bares de alterne da cidade, tornou-se agora um homem livre. Recorda essa altura em que Bragança ficou nas bocas do mundo e em pé de guerra. Nas suas contas, o Estado português deve-lhe dinheiro. Diz que “a montanha pariu um rato”
O PS ganhou, mas perdeu. O PSD perdeu, mas ganhou. O PCP perdeu, mas não desiste, nem renova. O BE ainda não percebeu se ganhou se perdeu. O CDS abandonou o táxi e foi antes à boleia. Pelos intervalos da chuva, o Chega vai consolidando. E, no final, ganhou a abstenção.
André Ventura, líder do Chega, na sua melhor versão meteorológica, disse que está um belo dia para celebrar a democracia. E o que é que o líder de um partido de extrema-direita faz para celebrar a democracia?
No dia 10 de Julho de 1985, os serviços secretos franceses cometem um atentado para afundar o Rainbow Warrior, o mítico navio da Greenpeace, que cumpre agora 50 anos de vida. Neste, morreu Fernando Pereira, fotógrafo português. Marelle, a filha mais velha, não descansa enquanto não levar os responsáveis à Justiça. Uma luta sem fim.
Sociedade
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Luís Pedro Cabral
13 min.16.09.2021
É uma história com código postal em Alverca. A história de 2,5 toneladas do World Trade Center, que um dia um construtor civil trouxe para Portugal. O governo português não quis a peça, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira também não. Ficou no jardim da sua quinta. À espera de se tornar num objeto de colecção.
Numa altura em que a TAP voa no labirinto da reestruturação, em que são mais as dúvidas do que as certezas, aqui se recorda como a companhia aérea portuguesa começou. O grande obreiro foi Humberto Delgado, que acabaria em rota de colisão com Salazar. Foi como aprender a voar sem asas. Salazar ordenou a contragosto a criação da TAP. E não esteve presente na sua inauguração. No último dia de 1946.
Se Cristiano Ronaldo jogar, e se marcar, ultrapassará um recorde que parecia inalcansável: tornar-se no melhor goleador de sempre ao serviço de uma selecção nacional. Toda a gente fala do extraordinário recorde de Ali Daei, o goleador iraniano, mas ninguém consegue falar com ele. Há uma razão para isso: o Irão. Onde se encontra Ali Daei, à sombra do seu recorde e do Islão. Foi difícil, mas contou-nos a sua história.
Há um momento no ano civil mais previsível que um bolo-rei na época natalícia. Lá vêm os políticos exibir os seus bronzeados, trazendo a política de volta aos palcos. A maioria dos partidos, à excepção de um, não quis chamar rentrée à rentrée, usando eufemismos e iniciativas, que se confudem já com a campanha eleitoral. E todos aproveitam para criticar o primeiro-ministro de ter um discurso eleitoralista. Previsão do tempo: chuva no molhado.
Gustavo Carona, médico anestesista e intensivista no Hospital de Matosinhos, correu o mundo em missões humanitárias. Esteve no Afeganistão em diferentes momentos. O acontece actualmente não o surpreende, apenas a forma. O futuro parece condenar este país às trevas do passado. Onde ficam os direitos humanos? Noutro lugar.
"Uma das impressões mais fortes e perturbadoras foi a questão das mulheres de burqa no espaço público. Ao início era uma enorme estranheza mas uns dias depois já nos habituávamos a ver aquelas manchas de azul a deslizar nas ruas." Entrevista à jornalista Cândida Pinto que esteve três vezes em reportagem no Afeganistão.
A missão nacional terminou na pista, em altíssima velocidade. Pedro Pichardo foi porta-estandarte no encerramento dos JO de Tóquio, onde Portugal conseguiu a melhor prestação de sempre. A telenovela do triplo salto, porém, está para durar.
Um susto enorme. Com um pouco mais de meia maratona percorrida, Sara Moreira perdeu os sentidos. Momentos angustiantes, em que JO desapareceram, trazendo à memória um velho fantasma. A atleta portuguesa está bem. Isto, é o que mais interessa.
Absolutamente extraordinária a prova de João Vieira nos 50 km´s marcha, em Sapporo. Aos 45 anos, um 5º lugar com sabor a medalha, que esteve tão perto, em quase quatro horas de drama e sofrimento. Está confirmado: sofrer é connosco.
Está certo que as olimpíadas são pródigas em acontecimentos insólitos. Mas nunca um rabo deu tanta polémica. Ainda por cima numa prova com participação portuguesa.
A história do olimpismo português remonta a 1912, com a participação nos JO de Estocolmo. Quanto mais se recua no tempo, melhor se verifica quanto eram remotas as possibilidades de uma presença numa olimpíada ao mais comum dos portugueses. Foi a cavalo que Portugal conseguiu a sua primeira medalha olímpica, em Paris, 1924.
Com a medalha de bronze ao peito e uma chupeta na boca, Fernando Pimenta ergueu alta a canoa de Portugal. É a terceira medalha portuguesa em Tóquio. Mesmo de chupeta, não sabe melhor assim? Vá. Não custa admitir. Um pouco de pimenta na língua dos que acham que isto só vale pela participação.
Na maravilhosa ressaca do triplo salto, o grande recorde do 11º dia dos olímpicos foi mesmo o de pluviosidade. Provas adiadas, provas canceladas. Antes da tempestade, houve outra, que envolveu uma atleta portuguesa nos 1500 metros.
Patrícia Mamona esteve extraordinária. Ultrapassou a barreira mítica dos 15 metros, por duas vezes pulverizou o recorde nacional e conseguiu a segunda medalha olímpica de Portugal. Esta é de prata. E já ninguém nos tira.
Nisto, mais ninguém falou das camas anti-sexo. São eficazes? Houve queixas? Lesões? Rupturas de protocolo? Sinceramente, quem é que perdeu tempo a desenvolver este gadget?
Patrícia Mamona está na final do triplo salto. Julie Meynen, a nadadora luxemburguesa, conseguiu um excelente terceiro lugar nos 50 metros livres, mas despediu-se de Tóquio. Foi, porém, da piscina que a polémica emergiu nos JO. Para quem quis ouvir.
E, ao sexto dia, uma medalha de bronze para um verdadeiro campeão, que fala como luta. Todos se juntaram a ele nesta vitória olímpica. Mas ele não estava satisfeito. Quem luta pelo ouro não fica contente com o bronze. "Waza-ari".
Pelos vistos, Portugal anda por Tóquio a fazer História e ninguém sabe. Por favor, não se deixem iludir pelo medalheiro olímpico nacional, que continua a zeros. Devia, aliás, instituir-se um diplomeiro olímpico, pois diplomas já cantam dois.
Eis o primeiro caso político nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Fethi Nourine, judoca argelino, recusou competir com o israelita Tohar Butbul, desistindo dos Olímpicos "por razões ideológicas". A causa da Palestina sobrepõe-se a qualquer competição, disse o atleta da Argélia, que no último campeonato do mundo já tinha feito o mesmo. Em relação ao mesmo adversário. Entre os portugueses, começa a surgir o drama. E os bilhetes de regresso para Portugal.