"Novo Contacto"

“O que vai mudar é a forma como posicionamos o jornal”

José Campinho, responsável do pólo lusófono no grupo Saint-Paul
Foto: Guy Wolff

José Campinho, responsável dos media lusófonos do grupo Saint-Paul – Contacto e Rádio Latina – explica o novo posicionamento do jornal e as mudanças operadas em termos editoriais e de imagem no semanário.

O que é que o leitor vai encontrar no novo Contacto?

Vai passar a ter reportagens mais aprofundadas, com investigação, e com uma abordagem mais seletiva em termos de atualidade. Procuramos essencialmente assuntos que interessem em específico ao nosso público, o público lusófono, em vez de andarmos sempre atrás da atualidade tratada pelos outros órgãos de informação. Isso hoje em dia já não faz sentido. O nosso público tem acesso à informação em várias línguas, o que não acontecia quando o jornal começou, não precisam de esperar pelo Contacto para saber o que aconteceu.

Mas a atualidade também não pode ser ignorada...

Não, e vamos continuar a tratar a atualidade, mas o nosso objetivo não é dizer às pessoas o que aconteceu durante a semana. A nossa missão é procurar temas pertinentes para o nosso público e tratá-los de uma forma mais aprofundada e específica. Os jornais em francês ou em alemão dirigem-se a um público com outras sensibilidades, muitas vezes com outros interesses, e o ângulo de reportagem deve ter em conta esses aspetos. A mais-valia do Contacto é muito mais do que uma questão linguística.

Era necessário mudar também o design?

Costumo dar o exemplo de um BMW com uma carroçaria de um Lada, provavelmente não teria grande sucesso embora continuasse a ser um BMW. Hoje em dia vê-se que as pessoas também pagam pelo design, tendo-se tornado uma componente importante da maioria dos produtos que consumimos. O mesmo acontece com a informação, quando o design se torna mais agradável, a leitura fica facilitada acabando por dar mais prazer ao leitor. Um dos défices do Contacto era ter um design que estava demasiado associado àquilo que se fazia em Portugal nos jornais regionais. Atualmente, já não é esse o posicionamento do Contacto.

[O Contacto] vai passar a ter reportagens mais aprofundadas, com investigação, e com uma abordagem mais seletiva em termos de atualidade. Procuramos assuntos que interessem em específico ao público lusófono.”

O jornal vai deixar de ser gratuito?

Atualmente imprimimos 25 mil jornais por semana, o que dá mais de um milhão de jornais por ano. Se no início, quando se imprimiam algumas centenas de jornais, o modelo de negócio e de distribuição gratuita era viável, hoje em dia torna-se quase impossível. São muitos jornais a serem impressos, a serem distribuídos. Tudo isto são custos muito elevados, acrescidos dos custos óbvios de produzir o conteúdo. O modelo de negócio teve de ser repensado, para passar a ser um produto pago, como qualquer jornal de qualidade.

E como é que vai ser na prática? Quanto é que o jornal vai custar?

O jornal vai passar a custar um euro nos quiosques, embora o objetivo seja que as pessoas façam uma assinatura anual. Na prática, todos os leitores que mudarem de residência ou chegarem ao país, se quiserem receber o Contacto vão ter de fazer uma assinatura no valor de 25 euros. As pessoas que já o recebem gratuitamente, não as vamos obrigar a mudar. Mas gostávamos que também essas percebessem que estão a receber um produto que tem custos elevados, e que estamos a fazer um grande esforço para que esse produto vá ao encontro daquilo que realmente querem e que merecem e que esse produto não pode continuar a ser gratuito.

O novo sistema de assinaturas já está disponível?

Sim. O procedimento será relativamente simples e faseado. Vai começar por ser por transferência bancária e posteriormente haverá também a possibilidade de efetuar o pagamento da assinatura através de cartão de crédito no site do jornal.

Há muitos jornais que apostam também nos brindes. Será o caso?

Estamos a preparar um cartão privilégio, uma espécie de clube onde as pessoas poderão ter acesso a descontos ou vales de compras em vários produtos e serviços. Quem optar por esse tipo de solução, que vai ser um pouco mais cara do que a assinatura normal, acaba por ter mais vantagens.

E qual será o preço total do jornal mais o cartão privilégio?

35 euros. Fica dez euros mais caro do que só a assinatura, mas com acesso aos tais descontos.

As pessoas já podem aderir a este pacote?

Não, o cartão privilégio vai ser lançado numa fase posterior. Para já será lançada apenas a assinatura normal.

Outra das mudanças no Contacto é a introdução do novo acordo ortográfico...

Há um novo posicionamento, há um novo design, faz todo o sentido começarmos já também com a nova ortografia, visto que muito dificilmente é um processo que fará marcha atrás. O timing é o adequado. Trata-se mais de uma questão prática, a maioria dos órgãos de comunicação já adotou o novo acordo.

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