Religião

Papa: Francisco e cardeais decidem data e hora de canonização de pastorinhos

O papa Francisco preside na quinta-feira ao consistório, no Vaticano, em que será decidida a data e o local da canonização de 37 beatos, entre eles os pastorinhos de Fátima Francisco e Jacinta.

A decisão está agora nas mãos dos cardeais e de Francisco, que estará Fátima a 12 e 13 de maio, e será a última etapa antes da cerimónia de canonização, um processo que se arrasta há 67 anos, desde 1950.

A canonização de Francisco e Jacinta, beatificados pelo papa João Paulo II, em Fátima, a 13 de maio de 2000, estava dependente do reconhecimento de um milagre, a cura de uma criança brasileira, em 2013, o que aconteceu a 23 de março. (Corrige no primeiro parágrafo a data do consistório, que é na quinta-feira, 20 de abril)

Ninguém, até hoje, na hierarquia da Igreja portuguesa, se pronunciou abertamente sobre a possibilidade de o papa argentino aproveitar a visita a Fátima para canonizar os dois pastorinhos.

No dia em que se soube da notícia da aprovação por Jorge Bergoglio do milagre atribuído a Jacinta e Francisco, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, confessou-se “muito feliz” com a notícia, afirmando que “cabe ao Santo Padre decidir quando” fará a canonização.

“Compete apenas ao Santo Padre [papa Francisco] escolher a data e o local da celebração da canonização. Aguardamos o consistório de 20 de abril para essa comunicação”, disse, nesse dia, o bispo de Leiria-Fátima, António Marto.

Francisco e Jacinta faleceram ainda crianças, pouco depois de, com a sua prima Lúcia de Jesus (1907-2005), terem estado na origem do fenómeno de Fátima.

Oriundos de uma “humilde família” de Aljustrel (na paróquia de Fátima, concelho de Ourém), no seio da qual “aprenderam a doutrina cristã”, as duas crianças começaram a pastorear o rebanho dos pais em 1916, atividade no âmbito da qual vieram a assistir às “aparições” de um anjo, nesse ano, e da Virgem Maria, no ano seguinte.

De acordo com informação da Sala de Imprensa do Vaticano, a reunião de cardeais, presidida pelo papa, inicia-se às 10:00 no Palácio Apostólico do Vaticano, em Roma, para a “celebração da Hora Média e o Consistório Ordinário Público para a Canonização dos Bem-aventurados”, 37 no total.

Francisco será o quarto papa a visitar Fátima, a 12 e 13 de maio, para o centenário das “aparições”, em 1917, tendo também previstos encontros com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

Os anteriores papas a estar na Cova da Iria foram Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991, 2000) e Bento XVI (2010).

Jacinta e Francisco, de pastorinhos a santos, um processo com 67 anos

A canonização dos pastorinhos de Fátima Jacinta e Francisco está apenas dependente do anúncio da data e do local, após o consistório de quinta-feira, no Vaticano, mas o processo prolonga-se há 67 anos.

Beatificados pelo papa João Paulo II, em Fátima, em 13 de maio de 2000, a canonização dos dois irmãos estava dependente da aprovação, pelo papa, do milagre que foi anunciado pela sala de imprensa da Santa Sé, a 23 de março.

Francisco e Jacinta faleceram ainda crianças, pouco depois de, com a sua prima Lúcia de Jesus (1907-2005), terem estado na origem do fenómeno de Fátima, entre maio e outubro de 1917. (Corrige no primeiro parágrafo a data do consistório, que é na quinta-feira, 20 de abril)

Oriundos de uma “humilde família” de Aljustrel (na paróquia de Fátima, concelho de Ourém), no seio da qual “aprenderam a doutrina cristã”, as duas crianças começaram a pastorear o rebanho dos pais em 1916, atividade no âmbito da qual vieram a assistir às “aparições” de um anjo, nesse ano, e da Virgem Maria, no ano seguinte.

Em 1917, Jacinta Marto, sétima e última filha de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus, tinha 7 anos (nasceu em 11 de março de 1910) e o irmão (Francisco), penúltimo filho do casal, 8 anos (11 de junho de 1908), refere a página eletrónica do Santuário de Fátima, a propósito das suas biografias.

Depois de espalhar a notícia das “aparições”, as crianças passaram a ser rodeadas pela atenção de curiosos, que lhes pediam, segundo vários relatos, para descrever o que viram ou que pedissem para interceder por eles “a Nossa Senhora”.

“Para a conversão dos pecadores”, os três chegaram a fazer penitência, através de períodos de fome e sede.

No outono do ano seguinte, Jacinta foi atingida pela “epidemia da gripe espanhola”, sendo, alguns meses depois internada no hospital de Ourém (então designada Vila Nova de Ourém) e, mais tarde, no início de fevereiro, no Hospital D. Estefânia, em Lisboa, onde faleceu (20 de fevereiro de 1920), pouco antes de completar 10 anos de idade.

A mesma epidemia bronco-pneumónica também afetou Francisco Marto, que faleceu antes da irmã (04 de abril de 1919), cerca de dois meses antes de completar 11 anos de idade.

Em 1950, o então bispo de Leiria, José Alves Correia da Silva, recebeu “licença, da Sagrada Congregação dos Ritos, para organizar o Processo Diocesano sobre a fama de santidade, virtudes e milagres” dos dois pastorinhos, cuja “heroicidade das virtudes” foi reconhecida por João Paulo II, que lhes concedeu o título de ‘veneráveis’ em 13 de maio de 1989.

Onze anos mais tarde, em 13 de maio de 2000, durante a sua terceira e última deslocação ao Santuário de Fátima (as outras visitais ocorreram em 1982 e em 1991), o mesmo papa beatificou as duas crianças, que agora estão mais próximas da canonização, com a decisão do atual líder da Igreja Católica, Jorge Bergoglio, anunciada pela Santa Sé.

A cura da criança brasileira, agora considerada milagre pela Igreja Católica, permitirá tornar santos os dois beatos de Fátima.

Com a canonização, os dois beatos poderão ser os mais jovens santos da Igreja Católica.

O papa Francisco visita Fátima de 12 a 13 de maio, para as comemorações do centenário das "aparições".

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