OPINIÃO: Aeropolémica da Madeira

Aeroporto da Madeira
Foto: William Verguet/Crative Commons

Sergio Ferreira Borges

Há quem queira atribuir o nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto da Madeira. Mas este mato tem coelho e a bondade não é tão grande como parece.

Um jogador de futebol é, normalmente, uma figura popular, ainda que a sua popularidade, muitas vezes, não passe as fronteiras da cidade e do clube onde joga. Mas Cristiano Ronaldo é bem mais que isso, é uma figura pública, pelos relevantes serviços prestados ao país. Disso, ninguém tem dúvidas e nem é preciso apelar à sociologia para perceber a diferença. Por isso, não escandalizaria ninguém se o seu nome fosse inscrito na pedra do aeroporto da sua terra. Mas há bastidores nesta história que interessa conhecer.

Há mais de um ano, começou a desenhar-se, na Madeira, um movimento de pressão, para que fosse dado ao aeroporto o nome de Alberto João Jardim. E havia muitos argumentos a favor, desde logo, ter sido durante o seu longo consulado que se fizeram as obras de ampliação daquela infra-estrutura. Acontece, no entanto, que Miguel Albuquerque, atual presidente do Governo Regional, não morre de amores pelo antecessor. E resolveu jogar na antecipação, propondo o nome de Cristiano Ronaldo, de absoluta consensualidade, para travar a hipótese de Alberto João Jardim. Jogadas destas são frequentes, em política.

Entre Cristiano Ronaldo e Alberto João Jardim, eu não me engano na escolha.

CR7, além de extraordinário futebolista, é o filantropo que todos devemos apreciar: melhorou a vida da sua família, tem ajudado a promover a sua terra, com investimentos que geram riqueza, tem levado o nome de Portugal pelo mundo fora. Por tudo isto, a homenagem já seria justa. A Madeira deve mais a Cristiano do que Cristiano à Madeira. Mas escrever o nome de alguém na pedra só se deve fazer postumamente, ou numa idade avançada, altura em que o homenageado já terá poucas possibilidades de desiludir. Cristiano Ronaldo é muito jovem e, portanto, ainda está sujeito a derrapar numa qualquer curva mais apertada que a vida, sorrateiramente, lhe ponha pela frente. É evidente que ninguém lhe deseja tamanha desdita. Esta é a minha única reserva e parece ser também a do Presidente da República, a acreditar na imprensa dos últimos dias.

Entre Cristiano Ronaldo e Alberto João Jardim, eu não me engano na escolha. O primeiro já me deu muitas alegrias, o segundo distinguiu-se apenas pela incontinência verbal. A decisão parece já não ter possibilidade de recuo. E, se assim for, só resta esperar que Cristiano Ronaldo, daqui para frente, faça tudo por merecê-la.

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