PSD

Passos garante que não se demite se obtiver mau resultado nas autárquicas

AFP

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, assegurou quinta-feira que não se demitirá se o partido tiver um mau resultado nas autárquicas e, em matéria económica, considerou que não se enganou, mas que foi o Governo que alterou a estratégia.

Em entrevista à SIC, Passos Coelho garantiu que nunca lançaria instabilidade dentro do partido “a propósito de eleições que têm significado local e não nacional”.

“Eu nunca me demitiria de líder do PSD por um mau resultado autárquico”, assegurou, acrescentando que tal não significa descartar responsabilidades pelo processo e voltou a apontar como meta o PSD conquistar o maior número de câmaras e juntas de freguesia.

Numa entrevista dominada pela política económica, Passos Coelho foi várias vezes questionado se, perante indicadores positivos da economia portuguesa, reconhecia que se enganou nas suas previsões.

“Mas não me enganei, o Governo é que mudou de estratégia. Se o Governo tivesse chegado ao final do ano com os resultados que tinha prometido com a estratégia a que se propunha, ‘chapeau’”, disse, acrescentando, ainda assim, que prefere que essa alteração tenha acontecido e permitido cumprir as metas orçamentais.

No início da entrevista, o líder do PSD foi questionado sobre a melhoria dos indicadores económicos – que reconheceu, dizendo “parece que sim” - mas contrapôs que Portugal poderia ter tido melhores resultados.

“Nós crescemos menos [em 2016] do que em 2015 e, quando todos os outros perante uma conjuntura mais favorável aceleraram o crescimento, nós desacelerámos”, lamentou.

Sobre o resultado do défice, que ficou nos 2,1%, Passos Coelho insistiu que, sem o recurso a medidas extraordinárias e a “cortes cegos” no Estado e no investimento, este teria ficado nos 3,2%.

“Isso não significa que não seja bom cumprir um défice de 2,1% (…). Prefiro que o Governo atinja a meta do défice, mesmo recorrendo a medidas que não reconhece, do que ter falhado”, afirmou, insistindo que os objetivos foram alcançados com “um plano B”.

Questionado sobre se continua a acreditar que Portugal poderá necessitar de um novo resgate, o líder do PSD disse nunca ter posto esse cenário em cima da mesa.

“Eu espero bem que não, já fui primeiro-ministro, não faço afirmações que possam causar qualquer pânico ou instabilidade, sei muito bem as dificuldades que é lidar com um resgate”, alertou.

Instado a dizer se cortaria novamente salários e pensões caso voltasse a ser primeiro-ministro, Passos Coelho respondeu: “Acha que estamos em 2011? Acho que é incrível que se queira comparar o que não é comparável”.

Sobre o sistema financeiro, Passos Coelho reiterou as críticas ao Governo por não ter vendido a totalidade do Novo Banco e insistiu que considera excessiva uma recapitalização da Caixa Geral de Depósitos de quase cinco mil milhões de euros.

No plano eleitoral, além das autárquicas, Passos Coelho foi também questionado sobre se admitia nova coligação pré-eleitoral com o CDS-PP nas legislativas de 2019 mas recusou fazer “futurologia”.

“O CDS é um partido importante para construir uma alternativa de Governo em Portugal”, afirmou apenas, lembrando que os dois partidos concorreram separados em 2011 e formaram Governo e concorreram coligados em 2015 mas não conseguiram que o parlamento aprovasse o seu programa governativo.

Dizendo não ter “nenhum receio” de que Rui Rio possa desafiá-lo na presidência do PSD, Passos assegurou estar “muito tranquilo” com a sua liderança e escusou-se também a especular sobre o que acontecerá caso a atual solução governativa se desfaça antes de 2019.

“Temos um Governo suportado por uma maioria de esquerda que faz uma encenação muito grande sobre se um dia apoia o Governo e outros não. Se eles se vão entender até ao fim não é uma questão para a qual seja chamado”, afirmou, remetendo para o Presidente da República a decisão sobre o que fazer em caso de haver uma crise política, cenário que disse não alimentar.

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