Parlamento

Costa elogia parceiros de esquerda e afirma que portugueses querem que a solução continue

António Costa (à dir) na recente visita ao Luxemburgo
Foto: Chris Karaba

O primeiro-ministro elogiou hoje o "espírito construtivo" manifestado pelo Bloco, PCP e PEV nos primeiros 500 dias de Governo, defendendo que os portugueses querem que essa cooperação política continue, e considerou que a "direita" está atualmente bloqueada.

Estas palavras foram proferidas por António Costa no final do debate quinzenal, na Assembleia da República, após uma intervenção do ex-ministro e deputado socialista João Soares em defesa dos resultados alcançados em Portugal e na Europa pelo atual Governo.

João Soares referiu-se ao ceticismo que rodeou a constituição deste Governo minoritário socialista no final de 2015, frisando que, pela sua parte, desde o primeiro momento acreditou na solução.

"Na realidade, [João Soares] foi um crente antes dos crentes", respondeu logo a seguir António Costa, depois de agradecer as palavras do seu ex-ministro da Cultura e antigo presidente da Câmara de Lisboa.

No último minuto da sua intervenção, o primeiro-ministro referiu-se ao reforço da confiança dos portugueses em relação às instituições democráticas, citando dados divulgados recentemente pelo Eurobarómetro.

"Estivemos anos de mais sem falar entre nós, sem fazer o esforço de resolvermos problemas em conjunto - e até continuamos hoje a ter profundas diferenças identitárias, algumas das quais inultrapassáveis. Mas a verdade é que tem existido sempre - e quero aqui reconhecê-lo perante as lideranças do Bloco de Esquerda, PCP e a direção de "Os Verdes" -, ao longo destes 500 dias, um espirito construtivo e de empenho no sentido de se encontrarem respostas concretas para os problemas herdados e para se evitarem novos problemas", declarou.

Depois, o primeiro-ministro deixou uma mensagem, tendo como horizonte o final desta legislatura: "É esse o esforço e o trabalho conjunto que temos de continuar a fazer, honrando as posições conjuntas que assumimos, porque é esse o resultado que os portugueses nos pedem: Sucesso neste compromisso".

A primeira intervenção da bancada socialista foi proferida pela deputada Sónia Fertuzinhos, que se referiu a medidas de apoio social tomadas pelo atual executivo, ao mesmo tempo que se cumpriram os compromissos macroeconómicos de Portugal na União Europeia.

"Face aos resultados, PSD e CDS-PP ficaram completamente perdidos. Neste debate, a direita nem uma palavra disse sobre a revisão da legislação referente a reformas antecipadas", apontou a deputada eleita pelo círculo de Braga.

António caraterizou depois a direita como estando "bloqueada", usando, para o efeito, tanto a revisão em baixa (de 2,1 para 2%) da meta do défice pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), como o mais recente relatório do "insuspeito" Conselho de Finanças Públicas.

"O Conselho de Finanças Públicas reconheceu duas coisas absolutamente extraordinárias: Em primeiro lugar, a redução do défice foi feita sobretudo do lado da despesa e não do lado do agravamento fiscal (como nos anos anteriores); em segundo lugar, houve uma redução da carga fiscal em 2016", declarou o primeiro-ministro.

Em suma, para António Costa, o resultado do défice em 2016 "dói à direita".

Porém, acrescentou logo a seguir, num recado indireto aos parceiros de esquerda, que "é preciso que o conjunto dos resultados alcançados, com melhoria dos direitos e das condições de vida, seja duradouramente sustentável".

"Não podemos ver de novo os dois objetivos - melhoria das condições de vida e sustentabilidade das finanças públicas - como antagónicos. Os dois objetivos são complementares", salientou.