FMI está mais otimista sobre o crescimento do Luxemburgo

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o Grão-Ducado cresça a um ritmo de 3,7% este ano e 3,5% no próximo ano. Os valores constam do World Economic Outlook (WEO), relatório divulgado pelo organismo liderado por Christine Lagarde, duas vezes por ano: em abril e em outubro. O documento contém as previsões dos indicadores económicos mais importantes para o curto e médio-prazos, bem como uma análise dos riscos para o crescimento económico mundial.

Quanto ao Luxemburgo, os dados apresentados são agora mais positivos do que os revelados no relatório anterior – publicado em outubro de 2016. De facto, para 2017, o FMI previa um crescimento de 3,1%, bem abaixo dos 3,7% agora indicados. O Luxemburgo terá mesmo uma das taxas de crescimento mais elevadas da zona euro, de acordo com as contas do FMI. Os 3,7% ficam apenas atrás dos 4,1% previstos para Malta. No entanto, é preciso notar, por outro lado, que se mantém a tendência de desaceleração económica entre 2016 e 2018 no Grão-Ducado. De uma evolução de 4% em 2016, passa-se para os 3,7% este ano e para 3,5% em 2018.

As estimativas para o desemprego também são mais otimistas do que as do relatório de outono. A taxa de desemprego deverá situar-se nos 5,9% este ano e descer para 5,7% em 2018. Ora, o relatório de outubro do ano passado previa para este ano uma taxa de 6,3%.

Estas previsões saem dias depois de a agência de notação financeira Fitch ter confirmado o rating de triplo A com perspetiva estável para o Luxemburgo. Esta é a quarta agência a dar a nota máxima ao país, a par da Standard & Poor’s, da Moody’s e da canadiana DBRS. A Fitch afirma que a nota atribuída reflete o elevado rendimento per capita, o crescimento potencial e finanças públicas sólidas, fatores que podem compensar o desemprego estrutural e a elevada dependência da economia do setor financeiro.

A agência realça ainda que a reforma fiscal que entrou em vigor este ano vai beneficiar as famílias e empresas, e sublinha que as receitas fiscais do país podem sair beneficiadas pelos processos da Comissão Europeia relacionados com ajudas de Estado. É que Bruxelas está a investigar os acordos fiscais feitos entre o Grão-Ducado e multinacionais como a Fiat-Chrysler, a McDonalds e a Amazon. Se forem, de facto, considerados como ajudas de Estado, os processos podem culminar com o pagamento de impostos retroativos, impulsionando as receitas fiscais.

Paula Cravina de Sousa

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