Mundial de matraquilhos

Luso-descendentes conquistam títulos históricos para o Luxemburgo

Equipa grã-ducal reforça estatuto mundial na modalidade.

Steve Dias e Bruno Gançalves (de branco) na vitória frente à Alemanha
Foto: Álvaro Cruz

O Luxemburgo conquistou o título mundial de selecções, o de pares e foi vice-campeã na prova individual. A participação histórica do país ficou assente na grande qualidade dos jogadores luso-descendentes que formam a quase totalidade da equipa.

Depois de no sábado ter conquistado o título mundial por equipas, a selecção luxemburguesa juntou ainda o primeiro lugar na competição a pares com a dupla formada por Christophe Dias e Leonardo Stamerra a bateram Frédéric Collignon e Billy Pappas na final.

Frente aos dois jogadores com mais títulos a nível mundial - sobretudo Collignon, apontado como o melhor jogador de sempre - a jovem dupla fez história na arena central do complexo desportivo da Coque, em Kirchberg e venceu por 3-2.

Christophe Dias e Leonardo Stamerra, campeões mundiais em duplos
Foto: Álvaro Cruz

Christophe Dias bateu o belga Collingon na decisão final e rejubilou com o feito: "Foi algo especial ter ganho ao jogador com mais títulos do Mundo. Esta vitória constitui uma alegria muito grande", disse o jovem luso--descendente.

Depois, na prova individual, foi a vez de Leonardo Stamerra brilhar. O único jogador que não é luso-descendente da formação luxemburguesa foi eliminando os adversários na fase de qualificação. Nas meias-finais, frente ao austríaco Esterbaner, Stamerra venceu por 3-2, num jogo bastante disputado e muito aplaudido.

Na final, perdeu com Frédéric Collignon, por 3-1, mas ainda esteve a vencer por 1-0. Frente ao melhor do mundo, Stamerra bateu-se bem, mas não conseguiu evitar a derrota.

No final da partida, o jogador luxemburguês mostrou-se resignado, considerando que o seu adversário é "praticamente imbatível". "Até acho que me bati muito bem, mas o Collignon é o melhor jogador de todos os tempos. Conseguimos vencê-lo em pares, mas em idividuais é quase impossível". Sobre a sua prestação, Stamerra diz ter feito "o melhor", considerando que ter chegado à final já foi "um bom prémio".

Leonardo Stamerra (esquerda) e Frédéric Collignon, campeão mundial em individuais
Foto: Álvaro Cruz

Frédéric Collignon também falou ao CONTACTO. O jogador belga felicitou a formação luxemburguesa e destacou o "grande nível de alguns dos seus jogadores". Para o melhor do Mundo, "o Luxemburgo tem registado uma enorme progressão nos últimos anos. Estão de parabéns pelo excelente mundial que fizeram", sublinhou.

Na competição feminina, destaque para a jovem luso-descendente Cindy da Fonte - jogadora do Leixões de Esch -, que ao serviço da selecção luxemburguesa conseguiu um brilhante 4° lugar na prova individual. Jessica Pereira, a outra luso-descendente que alinhou pela formação grã-ducal neste mundial, caiu na fase de qualificação.

Na categoria de juniores e veteranos, o Luxemburgo alcançou também alguns pódios.

Yannick Correia, campeão mundial individual em 2009 e por equipas em 2013, foi um dos jogadores de quem se esperava muito na prova. Após ter participado na vitória da selecção, ficou-se pela fase de eliminatórias na prova individual. O jogador disse ao CONTACTO que durante a competição esteve longe da sua forma: "Não me preparei bem para esta competição. Desde sexta-feira que não me senti muito bem. As bolas também são novas e, na realidade, não me consegui adaptar muito bem", lamentou.

Steve Dias, capitão da equipa e seleccionador do Luxemburgo mostrou-se bastante satisfeito, considerando "óptimo" o desempenho da selecção grã-ducal neste mundial. "Foi a primeira vez que organizamos um evento desta envergadura no Luxemburgo. No fundo, tinhamos todos esperança e uma grande vontade de alcançar títulos, embora estivessemos conscientes da grande qualidade de certos adversários", recorda.

"Nas últimas competições chegávamos às meias-finais, mas acabava por faltar sempre qualquer coisa para chegarmos mais longe. Desta vez alcançámos dois títulos e termos ainda um vice-campeão mundial em individuais. Foi muito bom, melhor era quase impossível", regozijou-se.

Sobre o nível dos jogadores - quase todos de origem portuguesa - que compõem a selecção o experiente capitão adiantou que se tem "trabalhado bem nestes últimos anos e o fruto esta à vista. Estamos ao nível dos melhores", rematou.

Álvaro Cruz