Entrevista

Atriz Ana Sofia Martins: “O mundo está a ficar um lugar desaconselhável”

Foto: Jorge Nogueira

Começou a trabalhar muito nova. Viveu em países como a França e os EUA. É atriz. Entra pela casa adentro das pessoas nas telenovelas da TVI que já passam em dezenas de países. Acredita na Humanidade desde que esta abandone o sofá e as redes sociais. Não aceita discriminações. É a Ana Sofia Martins.

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Já foi emigrante?

Já fui. E acho que vou ser outra vez. Fui emigrante dos 15, 16 até aos 26.

A chamada emigração infanti...

(Risos) É verdade. Foi por trabalho. Primeiro experimentei a Europa e depois fui para os Estados Unidos e por lá fiquei. Ainda bem que assim foi. Na Europa, os meus amigos e família entravam-me pela porta adentro. Assim com um oceano pelo meio, as pessoas pensavam duas vezes antes de me irem visitar.

Isso é mau, as pessoas quererem visitá-la?

Mais ou menos, eu estava lá para trabalhar. E às vezes cansa-me de ter de ir visitar, com os amigos que lá iam, pela enésima vez, o Empire State Building e a Estátua da Liberdade. Agora, com esta distância, já posso dizer aos meus amigos que odiei a visita deles. Não odiei nada (risos), mas quando se está num sítio para trabalhar, pode dizer-se que aquelas atrações turísticas tornam-se desagradáveis, porque eu não estava lá para isso. Agora, que estou cá, os meus amigos podem ir a Nova Iorque, levam um guia feito por mim e não passam por zonas turísticas.

Acabam sempre assaltados no Bronx.

Ou no Harlem (risos).

Isso já está gentrizado.

É verdade. A última vez que lá estive, fiquei em casa de uma amiga, que me disse que vivia no Harlem, e eu disse-lhe: “Tudo bem, tudo bem”, mas fiquei um bocadinho de pé atrás. De repente, o Harlem que eu conhecia dos filmes e de lá ter vivido há quatro anos, não era aquele Harlem: o bairro está no cúmulo do hipsterismo, cheio de mamãs de classe média, que vivem lá, a puxar os tróleis com as crianças. Isso pode ser bom, mas ao mesmo tempo, fico a pensar, onde estão as pessoas e as comunidades que lá viviam?

Sentiu-se portuguesa nos EUA, tipo de ir à procura dos restaurantes portugueses?

Eu fui uma vez a Newark, no fim do ano. Pensei: “Já que cá estou, vou lá passar o fim do ano, para comprar as coisas da minha terra”. Não me senti de lado nenhum. Acho que nunca me sinto de lado nenhum. A experiência de ir comer o bacalhau da minha terra foi engraçado, porque pude fazer receitas para os meus amigos. Acho que mesmo os portugueses que lá estão, e que vivem nessas zonas com muitos originários de Portugal, não se sentem muito portugueses, já são, de certa forma, muito americanos. Especialmente, a minha geração que lá vive ou que já nasceu lá.

(...)

Nuno Ramos de Almeida

A entrevista na íntegra pode ser lida na edição desta semana do Contacto.

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